Capítulo Três: O Nascimento

Sang Pelayan Pedang Iblis Gelisah dalam segala keadaan 3323字 2026-03-15 14:32:57

Capítulo III – O Nascimento

Nos arredores da Cidade Leste, erguia-se uma vasta propriedade rural, cujo proprietário era o atual senhor da cidade. Dizer “arredores” talvez não fosse exato, pois, na verdade, ficava apenas um pouco afastada da Cidade da Esperança. Hoje, num raio de mil léguas ao redor, todos os perigos já haviam sido erradicados, e a guarnição militar mantinha o cerco mais externo, garantindo assim a tranquilidade dos habitantes. Próximo ao solar, numerosos camponeses haviam se estabelecido, formando, não sem esforço, uma pequena aldeia. Ademais, a Cidade da Esperança incentivava a expansão das terras cultiváveis, oferecendo múltiplos incentivos e benefícios.

Mas desviemo-nos dessas digressões e retornemos ao solar, onde, naquele instante, uma bela mulher grávida lutava com todas as suas forças em seus derradeiros esforços. Na ampla sala, um homem de trinta e poucos anos andava de um lado para o outro, a face austera e quadrada tomada por inquietação e aflição. Não restava dúvida: era o esposo da parturiente, o atual senhor da Cidade Leste e patriarca da família Lestre, Lestre Jé. Com quase um metro e noventa de altura, de compleição robusta, seus braços denotavam uma força explosiva; contudo, após assumir o comando da cidade, descuidara-se dos exercícios, e uma incipiente saliência em seu abdômen denunciava tal abandono. Ainda assim, nada disso enfraquecia a aura autoritária que dele emanava.

— Não consegue sentar-se um instante sequer? Seu vai e vem já me causa dor de cabeça — disse um ancião, cuja face era marcada por uma longa e feroz cicatriz. Apoiado a uma imensa espada de lâmina larga, o simples repouso da arma na bainha não bastava para conter o halo de letalidade que dela emanava. Quantos, afinal, teriam caído sob aquela lâmina para torná-la instrumento de tal ferocidade? Ele era o pai de Jé, ex-patriarca da família Lestre, e, em toda a Cidade da Esperança, era conhecido como o Furor Divino, Lestre Long.

O velho patriarca já transferira o poder ao filho, levando uma vida semi-reclusa, intervindo nos assuntos da família apenas quando estritamente necessário. Embora parecesse agora tranquilo, sentado no sofá, seus dedos tamborilando incessantemente no punho da espada traíam a inquietação de seu espírito.

— Pai, acha que Ângela não correrá perigo? Já faz tanto tempo que ela entrou lá... Eu disse que, neste estado, ela não devia dar à luz, mas ela insistiu em me dar mais uma filha. A culpa também é minha, por ter mencionado o desejo de ter uma menina... Se ao menos...

— Cale-se! — cortou o velho.

— Pai...

— Já disse para calar-se! Está me tirando do sério. Agora, só nos resta aguardar em silêncio. Onde está toda aquela compostura que costuma exibir?

— Sim, senhor.

O senhor da cidade, resignado, sentou-se em silêncio, as mãos crispadas, tamborilando os pés no chão e lançando olhares inquietos na direção do quarto de parto. Aquele que costumava comandar destinos e exércitos agora se comportava como uma criança assustada e obediente.

O velho patriarca, observando o filho submisso após a repreensão, não pôde senão suspirar, resignado. Em tom brando, disse:

— Fique tranquilo, nada acontecerá. Já mandei Simon à cidade buscar o comandante dos Paladinos do Santuário. Se algo ocorrer, sua magia de cura será suficiente. Devem estar a caminho. Não temos com o que nos preocupar. Isso mesmo, nada com o que se preocupar...

Repetiu a última frase, como se desejasse convencer a si próprio da veracidade de suas palavras.

— O comandante dos Paladinos acaba de chegar! — anunciou em voz alta um criado do lado de fora.

As portas do salão se abriram e, adentrando com passos firmes, surgiu um homem corpulento, de altura equiparável ao senhor da cidade, rosto austero e quadrado, trazendo às costas uma cruz colossal. Seguia-o um homem de meia-idade, de trajes simples.

Ao vê-los, o velho patriarca ergueu-se para saudá-los. O senhor da cidade apressou-se a ir ao encontro do comandante e disse:

— Irmão, agora tudo depende de você.

— Pequeno York, agradeço por ter vindo tão prontamente — saudou o velho Long.

— Tio Long, poupe-me dessas formalidades! Nossas famílias são aliadas de longa data e, além disso, Jé e eu somos irmãos de coração. Ajudar neste momento é o mínimo, e até agora, nada de grave aconteceu — respondeu o comandante dos Paladinos, York Jones, amigo de infância do senhor da cidade, dois anos mais velho, razão pela qual Jé o chamava de irmão mais velho.

As famílias Lestre e Jones figuravam entre as mais ilustres da Cidade Leste, estando, em prestígio, entre as poucas que lhes podiam ombrear. Jones era figura central de sua linhagem, não apenas por ser irmão do atual patriarca dos Jones, mas por ostentar o título de paladino sênior mais jovem da história, tendo-se tornado um dos quatro chefes do Santuário aos trinta e cinco anos. Agora, aos quarenta e dois, permanecia insuperável em sua posição de comandante dos Paladinos.

Convém aqui uma breve digressão sobre o intrincado sistema de gestão dos Santuários. Cada um conta com um chefe, dois vice-chefes, quatro líderes de ofício e uma plêiade de anciãos. O chefe, sempre um veterano de mérito e poder extraordinários, detém a maior autoridade, mas raramente se envolve nos assuntos cotidianos. Dos vice-chefes, um responde pelas finanças e outro pela administração de pessoal — cargos para os quais o talento administrativo é mais relevante que a força. Os líderes de ofício, eleitos pelo mérito, são os quatro maiores expoentes em suas respectivas artes, supervisionando diretamente todos os praticantes sob sua alçada. Os anciãos, antigos mestres aposentados, todos de nível violeta, não participam da administração, mas detêm poder de veto: decisões rejeitadas por maioria são postergadas; por três quartos, anuladas. Jones, como líder dos Paladinos, era responsável por todos os cavaleiros sagrados, sua autoridade e poder pessoais quase incomparáveis.

— Simon, não há mais nada para você aqui. Pode retirar-se — ordenou o senhor da cidade ao ver o homem parado à porta.

Embora Simon fosse apenas cocheiro da propriedade, gozava da inteira confiança do senhor. Seu pai, outrora companheiro de armas do velho Long, tombara em missão, confiando, em seu leito de morte, esposa e filho aos cuidados do patriarca. Desde então, Long arranjou ocupação digna e tranquila para a viúva e Simon no solar. Simon crescera junto de Jé e do comandante Jones, mas, por sua origem, sempre se portara com humildade. Sem talento para as artes marciais, acabara por se tornar cocheiro do solar.

— Espere, Simon. Sua esposa também está prestes a dar à luz, não? — lembrou o senhor da cidade.

— Grato pela preocupação, senhor. O médico disse que deve ser por estes dias — respondeu Simon.

— Você é sempre tão formal! Aqui estamos entre amigos, poderia agir como antes.

— Isto não seria próprio, vossa senhoria agora é o senhor da cidade...

— Está bem, está bem, você sempre vence pelo cansaço. Pode ir. Depois que seu filho nascer, não se esqueça de nos convidar para o banquete! — atalhou o senhor, interrompendo um longo discurso.

— Tio Long, comandante, peço licença para retirar-me — despediu-se Simon, curvando-se levemente antes de sair e fechar a porta.

— Veja, pai, Simon é sempre assim. Com o senhor trata como família, conosco é todo respeito, chega a ser constrangedor — lamentou o senhor da cidade.

— Deixe-o, é do feitio dele. Concentre-se no que ocorre lá dentro — disse o velho Long, apontando o quarto de parto.

O senhor da cidade tornou a tornar-se nervoso, recomeçando a marcha inquieta pela sala.

Simon, ao deixar o salão, dirigiu-se direto ao estábulo, mas sua mente já voava para o lar. Ao retornar, ouvira dos outros criados que sua esposa já rompera a bolsa e estava em trabalho de parto.

No estábulo, arrumou suas coisas de modo apressado e pôs-se a correr para casa. Alguém poderia perguntar por que não foi a cavalo, mas, para Simon, os cavalos pertenciam ao senhor — e, apesar da amizade, ele sabia ser apenas um empregado. Usar um cavalo sem permissão, mesmo que não lhe rendesse reprimenda, jamais seria admissível para si.

Após quase meia hora de corrida, Simon finalmente chegou a casa. O parto ainda não havia terminado; parecia difícil. Sem poder entrar no quarto, limitava-se a andar de um lado para o outro, angustiado. Mais meia hora se passou até que, enfim, o choro de um recém-nascido rompeu o silêncio. Logo a parteira saiu, trazendo nos braços o bebê.

— Parabéns! É um menino! — anunciou, ao ver Simon à porta.

Ele correu até ela, sem palavras diante do pequeno. Lembrando-se então da esposa, quis ir ao seu encontro, mas a parteira o conteve:

— Não pode entrar, homem em sala de parto traz mau agouro!

— Que se dane o agouro! — retrucou Simon, ignorando-a e correndo para junto da esposa. Vê-la exausta e lívida apertou-lhe o peito de dor.

— Como se sente? — perguntou, apertando-lhe a mão com ternura.

A esposa de Simon, chamada Laks, trabalhara como criada no solar do senhor da cidade. O convívio diário aproximara ambos, e, com o incentivo do senhor, uniram-se em matrimônio. Após o casamento, Laks abandonou o serviço, dedicando-se à lida doméstica e aos cuidados da mãe doente de Simon, até que esta, falecida recentemente, lhe aliviou o fardo. Da outrora formosa face de Laks, restavam agora rugas esculpidas pelo tempo.

— E nosso filho? — perguntou ela, abrindo os olhos, sua primeira preocupação sendo o bebê.

Simon lembrou-se então do filho nos braços da parteira.

— Espere só um instante.

Levantou-se para buscá-lo, mas a parteira entrou trazendo o recém-nascido. Simon tomou-o nos braços e o depositou junto à esposa.

Laks, ao ver o filho adormecido, não conteve a alegria; abraçou-o, esquecendo-se da presença dos demais no aposento.

Simon, então, conduziu a parteira até a pequena sala de estar, entregou-lhe uma gratificação e indagou-lhe sobre os cuidados necessários. Após despedir-se da parteira, retornou ao quarto e deparou-se com a esposa já adormecida, o filho nos braços.

Aproximou-se, cobriu-a com o cobertor e, sentando-se ao seu lado, tomou o menino nos braços. Ora fitava a esposa, ora o filho, sentindo no coração uma felicidade impossível de exprimir em palavras.