Capítulo Três Após a Aula, Em Meus Braços (1)
# Pequena Fofura, Fique Parada e Deixe-me Abraçá-la #
Em abril, a cidade de Wencheng ainda estava marcada por um clima seco.
Os estudantes da escola já haviam, pouco a pouco, trocado seus uniformes pelos trajes de verão.
A Si, abraçando a mochila junto ao peito, seguiu lentamente atrás da professora Li, adentrando a turma do segundo ano, classe um.
Ela caminhava de cabeça baixa, alguns fios de cabelo deslizando-lhe pela testa. Com um gesto delicado, prendeu-os atrás da orelha, revelando um par de orelhas brancas e delicadas.
A sala, no intervalo entre as aulas, pulsava com um burburinho inquieto.
A professora Li posicionou-se junto ao quadro, batendo suavemente com o apagador para chamar a atenção:
— Silêncio, por favor. Vamos apresentar a nova colega.
— Professora, é menino ou menina? — indagou um dos rapazes, habituado a perturbar no fundo da sala, seus olhos curiosos voltando-se prontamente para a porta.
— Ora, como se uma menina fosse querer saber de você, olha só para esse seu jeito desleixado! — gracejou um colega, puxando o amigo para junto de si.
— Ainda reclama do próprio pai? Veja só como foi educado!
— Some daqui, vai! — retrucou o outro, entre risos e empurrões.
A professora Li tornou a bater no quadro, interrompendo a algazarra:
— Vocês aí atrás, que estavam falando palavrão, passem depois da aula na minha sala.
Suscitou-se um coro de lamentos, mas a professora não se deixou abalar.
Dirigiu-se então à porta, acenando para A Si, e a expressão antes austera suavizou-se de imediato, causando surpresa nos alunos, que a observaram boquiabertos.
— Olá, meu nome é A Si.
A jovem avançou timidamente, talvez tomada pelo nervosismo. Suas mãos alvas e delicadas apertavam com força as alças da mochila, os lábios tenros comprimidos numa linha, e nas faces surgiam covinhas discretas, quase ocultas.
Ergueu levemente o rosto, e seus olhos úmidos, perdidos, buscaram os olhares da sala.
Tornou a morder os lábios, hesitante.
— Caramba! Professora, onde foi que encontrou uma fofura dessas?
— Não falem bobagens!
— A partir de agora, a aluna A Si fará as aulas junto de vocês. E ninguém deve incomodá-la só porque ela é uma estudante transferida — advertiu a professora Li. Feitas as recomendações, conduziu A Si até uma carteira vazia, ao fundo da sala.
— Obrigada, professora — murmurou A Si, pousando a mochila sobre a mesa e oferecendo-lhe um sorriso tímido.
Sentou-se então com postura impecável, embora os olhos marejados ainda refletissem incerteza.
Este mundo, percebeu ela, era completamente diverso daquele que conhecera...
Lançou um olhar às próprias roupas:
Uma camiseta branca de mangas curtas, uma saia curta em preto e branco.
A Si inflou as bochechas, descontente — achou o traje excessivamente revelador. Nem mesmo no palácio celestial jamais vestira algo assim.
— Seu nome é A Si? —
Uma voz rouca irrompeu, surpreendendo-a.
A Si voltou-se.
Sua colega de carteira era uma jovem de beleza rara, cabelos levemente ondulados presos num rabo de cavalo. Sua voz, marcada pelo timbre rouco de quem acabara de acordar, carregava uma sedução indefinível.
A moça apoiava o rosto numa das mãos, fitando a nova companheira com olhos encantadores e atentos.
O olhar provocador de sua colega fez com que A Si ruborizasse, tímida.
— Olá, colega — murmurou em voz baixa, incerta se aquela seria a saudação correta.
Primeiro, cumprimentar.
A Si contemplou a jovem, os olhos úmidos agora tingidos de embaraço.
Que beleza extraordinária, pensou; nem mesmo no palácio celestial vira alguém assim.
— Você é mesmo uma gracinha — disse He Meigui, observando as covinhas que surgiam nas faces de A Si. Com um gesto atrevido, apertou-lhe suavemente a bochecha, rindo ao ver o espanto arregalado da menina.
— Pode me chamar de Meigui — acrescentou, a entonação subindo levemente, insinuando intimidade.
Não "He Meigui", apenas "Meigui".
A Si, de soslaio, examinou a expressão de Meigui. Diante de tamanha formosura, decidiu perdoar o gesto atrevido de ter-lhe apertado o rosto.
Passou então a retirar os pertences de dentro da mochila — objetos muitos deles desconhecidos.
A Si sentiu-se desalentada, uma tristeza a envolver-lhe o espírito.
Ela havia sido tão bondosa com Xiao Bai, e ainda assim, ele acabara por empurrá-la dali...