003 O grande peixe devora o pequeno

Evolusi Dimulai dari Mencemari Seluruh Dunia Wen Meng 3097字 2026-03-15 14:44:59

Na sala de estar.

— Assustou-se? — perguntou Zhou Sibai, sem rodeios.

— Um pouco — respondeu Qiao Xun, sentindo uma estranha familiaridade naquele diálogo.

— O que aconteceu com ele? — indagou.

Zhou Sibai mantinha sempre uma postura cortês e refinada. Parecia ter por volta de trinta e cinco anos, ostentava uma barba delicada e seus traços possuíam um certo encanto; era a imagem ideal do homem maduro nos sonhos de muitas jovens.

— Foi infectado. Ou, se preferir, contaminado.

— Um vírus? — Qiao Xun quis saber.

Zhou Sibai balançou a cabeça.

— Se fosse apenas um vírus, seria melhor.

— É algo grave?

Zhou Sibai não respondeu de imediato. Observou Qiao Xun de cima a baixo.

— Jamais imaginei que, em apenas um dia, dois casos de doença metálica estivessem ligados a você.

— Doença metálica? — inquiriu Qiao Xun.

— É uma enfermidade genética provocada pela infecção com metal anômalo, proveniente de criaturas incomuns.

Qiao Xun recordou as palavras de Qin Lin e as repetiu a Zhou Sibai.

Este, ao ouvir, tornou-se subitamente sério:

— Tem certeza de que ele não se enganou?

— Sim, naquele momento ele estava bem lúcido. E, normalmente, não costuma mentir para mim.

Zhou Sibai inspirou fundo, o som sibilando entre os dentes, e prosseguiu:

— Ele mencionou para onde foi aquela pedra?

— Não, mas suponho que a tenha jogado fora; não faria sentido trazê-la de volta.

— Algo está errado — murmurou Zhou Sibai, franzindo o cenho. Sem se preocupar em ocultar, dirigiu-se ao relógio no pulso direito e disse: — Enviem imediatamente os guias para vasculhar o lago de pesca no leste da cidade. Há fonte de metal ali. Imediatamente, imediatamente!

— O problema é realmente tão sério? — perguntou Qiao Xun.

Zhou Sibai franziu ainda mais a testa.

— Aquela pedra, ao que tudo indica, é metal de origem. Pode compreendê-la como o “hospedeiro viral” de um jogo.

— Uma comparação acessível — Qiao Xun sorriu. — O senhor é um jogador, afinal?

Zhou Sibai ficou um tanto surpreso; não esperava que, diante de tal situação, Qiao Xun mantivesse tamanha calma — e até humor. Seriam todos os psicólogos dotados de tão elevado autocontrole?

Zhou Sibai observou atentamente Qiao Xun. O tom de seus olhos escureceu de repente e, logo, franzindo o cenho, murmurou consigo: é apenas uma pessoa comum? Ou será apenas destemido?

— Para onde levaram meu amigo? — Qiao Xun quis saber.

Zhou Sibai não ofereceu palavras de consolo:

— Meus subordinados o conduziram, agora deve estar a caminho de um lugar especial... Chamemo-lo, por ora, de centro de contenção.

— O que acontecerá com ele?

— Ele foi infectado pelo metal de origem. Ou morre, ou evolui. Resta-lhe a esperança de que trilhe o caminho da evolução.

— Evolução?

— Sim, é o que aquele homem de oito pernas lhe chamou de “Escadaria Divina”. — Zhou Sibai balançou a cabeça. — Mas chega. Aos poucos compreenderá mais. Não tardará. Tenho de ir, não posso me demorar.

Ao dizer isso, entregou a Qiao Xun um relógio idêntico ao que usava no pulso direito.

— Guarde isto. Se precisar de algo, entre em contato comigo.

Zhou Sibai não sabia ao certo o que havia de especial em Qiao Xun, mas julgou que, pelo menos, valia a pena conceder-lhe um relógio de comunicação.

— Desta vez não haverá termo de confidencialidade? — perguntou Qiao Xun ao vê-lo já à porta.

Zhou Sibai hesitou, virou-se, como se fosse falar algo, mas acabou por desistir. Fez um gesto de despedida e partiu.

Qiao Xun acompanhou com o olhar a silhueta de Zhou Sibai afastando-se. Sem saber por quê, um vago entusiasmo lhe invadiu o peito.

Metais de criaturas anômalas?

Evolução?

Escadaria Divina?

Sacudiu levemente a cabeça, mordeu discretamente a língua, buscando conter aquela excitação.

Ao retomar a calma, Qiao Xun pôs-se a arrumar a entrada. Olhou para a dobradiça: estava partida, o batente da porta entortara-se ligeiramente. Sabia que Qin Lin, sozinho, jamais teria tanta força.

No corredor, ainda restava um pouco de pó branco, de natureza desconhecida.

Qiao Xun se perguntava como alguém tomado pela loucura como Qin Lin fora subjugado. Além disso, pelo horário, Zhou Sibai provavelmente não viera chamado pela polícia — talvez já soubesse de tudo antes mesmo de Qiao Xun ligar.

Por quê?

Estaria sendo vigiado?

Olhou em volta, mas nada percebeu de incomum. Restou-lhe apenas o consolo de que talvez fosse apenas paranoia.

De súbito, sentiu uma umidade estranha no tornozelo. Ergueu a barra da calça, e avistou uma larva cor-de-rosa enrolada em seu tornozelo — a mesma que vira revirando na ferida da palma de Qin Lin.

Uma sobrevivente!

Qiao Xun arrepiou-se. Preparava-se para afastá-la com a mão, mas, como se pressentisse, a larva tornou-se aguda na extremidade e, num instante, penetrou a veia de seu tornozelo, como uma agulha, deixando apenas um pequeno ponto de sangue.

Agora sim, estou perdido, pensou Qiao Xun, instintivamente.

A partir da veia do tornozelo, ondas de calor intenso espalharam-se pelo corpo, cada centímetro de pele parecia inflamar-se. Logo sentiu sede e febre, sintomas idênticos aos de Qin Lin.

A mente foi-se tornando turva, como se alguém lhe golpeasse a cabeça com um malho, ou uma pasta viscosa lhe anestesiasse o sistema nervoso.

“Não entre em pânico! Não entre em pânico!”

Qiao Xun esforçou-se ao máximo para manter a lucidez.

“De modo algum posso sucumbir como Qin Lin!”

Do contrário, estaria realmente perdido.

Correu ao banheiro, abriu o chuveiro e deixou que a água gelada, nesse fim de outono, lhe lavasse o corpo.

Mesmo assim, o calor não cedia. Sem água, sentia-se assado; sob o jato, era como se estivesse sendo cozido.

Tremia por inteiro, a pele ardia, rubra a ponto de se tornar arroxeada.

Os olhos, injetados de sangue, estavam arregalados, prestes a explodir.

A última centelha de consciência dizia-lhe que não podia desmaiar.

Apoiou o punho contra a parede do banheiro, sentindo cada centímetro do corpo ser invadido por vermes que se infiltravam na carne. Tinha certeza de que não era mera sensação: havia mesmo algo movendo-se sob a pele.

A dor era lancinante.

Qiao Xun desesperou-se; o coração acelerou-se perigosamente. Temia perder a razão como Qin Lin, ser capturado pelos agentes especiais de Zhou Sibai, transformado em cobaia — instrumentos cortando-lhe a pele, tecidos sendo separados, tendões e músculos seccionados, o sangue drenado, a medula, o cérebro, os líquidos extraídos... então o cérebro fatiado, as vísceras imersas em formol, convertido em espécime... Ou, talvez, se fosse considerado sem valor, simplesmente eliminado.

A primeira parte era possível, a segunda — devaneios de sua mente tomada pelo pânico.

O coração disparava.

No auge do nervosismo, uma serenidade gélida se instalou — era uma de suas virtudes, ou talvez uma falha.

O cérebro, antes em êxtase, e os nervos abrasados, de súbito se aquietaram, como ferro incandescente lançado em óleo frio.

Sob o chuveiro, Qiao Xun tornou-se glacial, sem qualquer emoção. Percebia nitidamente os vermes movendo-se, sentia-lhes o tamanho, a força, a voracidade ao devorar sua carne...

A criatura parecia padecer, ouvia, ao longe, um lamento. Até que, gradualmente, ela se aquietou em seu interior, integrando-se ao seu corpo.

Em pouco tempo, o rubor e o sangue nos olhos desapareceram, a pele retomou o tom natural.

Foi como se uma parte adormecida de seu cérebro despertasse: Qiao Xun sentiu-se tomado por uma renovada e misteriosa percepção.

Em sua mente, uma escadaria dourada surgiu, erguendo-se em direção a algo grandioso e incompreensível.

“Deus!”

A palavra ressoou como um trovão na mente de Qiao Xun.

Ele murmurou, quase sem voz:

— Isto... é a Escadaria Divina?

Algumas coisas, percebeu, não precisavam ser explicadas — ele compreendia instintivamente.

A larva cor-de-rosa, que pretendia devorá-lo por dentro, fora, ao contrário, por ele absorvida. Aceitava e compreendia tal processo.

Apoiando-se à parede, Qiao Xun ergueu-se, saiu do banheiro e, de frente ao espelho, contemplou sua figura um tanto desgrenhada, murmurando rouco:

— O grande devora o pequeno... Faz sentido.

Eu sou o grande peixe.

...

Próximo ao lago de pesca no leste da cidade, Zhou Sibai conduzia um grupo de “guias” em busca do metal de origem. Uma barreira invisível isolava um raio de cinco quilômetros, desviando instintivamente transeuntes e veículos.

De súbito, o relógio de comunicação de Zhou Sibai vibrou.

Ao atender, uma voz urgente ecoou:

— Relatório: O infectado codinome “Homem-Rã de Oito Pernas” fugiu do controle!

O frio do fim de outono penetrou Zhou Sibai, que, num sobressalto, exclamou:

— Vão imediatamente ao local do alvo, Qiao Xun! Peçam coordenadas ao sentinela!

— Sim, senhor!

Após ordenar que os “guias” prosseguissem a busca, Zhou Sibai disparou em direção ao endereço de Qiao Xun.

Corria veloz, os pés pareciam tocar o vento, avançando na noite como uma flecha recém-libertada.