Capítulo 3: Introdução

Gardenia Menyimpan Racun Nyanyian Cengkerik di Musim Panas 2672字 2026-03-15 14:47:32

A colega de carteira de Ning Zhi era uma garota chamada Yuan Mei.

Ela possuía um rosto redondo, adorável e cativante, cuja expressão, ao pousar sobre Ning Zhi, parecia sempre brilhar de entusiasmo. Ning Zhi dispôs sobre a mesa os novos livros que recebera em sua mochila; viera transferida de forma repentina, de modo que os manuais haviam sido improvisadamente retirados do depósito—em alguns deles, notavam-se tênues manchas de barro. Calmamente, Ning Zhi sacou um lenço umedecido de sua bolsa e, com paciência meticulosa, limpou-os um a um até que estivessem imaculados.

A jovem exibia um semblante suave e atento, com cílios longos e delicados; os fios negros e sedosos de seus cabelos, descaídos sobre os ombros, reluziam sob a luz do sol, como um véu de brilho macio. Yuan Mei, contemplando sua nova colega banhada pelo sol, sentiu o rosto corar sem perceber.

Quando Ning Zhi terminou, finalmente, de limpar os livros, deparou-se com um rosto completamente ruborizado. O olhar límpido e suave de Ning Zhi encontrou o de Yuan Mei, que se tingiu ainda mais de vermelho.

Como pode existir uma jovem tão bela assim…?

Com as faces em labareda, o olhar fugidio, Yuan Mei parecia querer cumprimentar Ning Zhi, mas seu nervosismo era tamanho que as palavras teimavam em não lhe sair dos lábios.

Ning Zhi, então, curvou suavemente os lábios rosados, estendendo a mão com iniciativa:
— Olá, sou Ning Zhi.

Yuan Mei ficou aturdida por alguns segundos, mas logo reagiu e apertou a mão da colega:
— Oi…

Com um sorriso tímido, apresentou-se:
— Me chamo Yuan Mei.

E assim se conheceram. Não há como negar: Ning Zhi possuía um dom natural, uma espécie de magia capaz de cativar qualquer um em pouquíssimo tempo.

O temperamento de Yuan Mei era notoriamente extrovertido, e antes mesmo do fim da manhã, já se referia à nova amiga com a intimidade de um “Xiao Zhi”.

— Xiao Zhi, por que você se transferiu de repente para a Saint Sis?

Sentada ao seu lado, Ning Zhi respondeu-lhe com gentileza e naturalidade, os longos cílios curvados:

— Bem… Afinal, a Saint Sis é, no momento, a escola mais renomada de Via—seja em recursos pedagógicos ou em condições, é a melhor. Então, após conversarmos, toda a família decidiu se mudar para cá.

Era a justificativa mais comum, por isso Yuan Mei apenas assentiu, sem dar maior importância.

O que ela não sabia, porém, era que Ning Zhi praticara essa resposta inúmeras vezes diante do espelho antes de chegar. Cada sílaba lhe era tão familiar quanto a própria respiração; por isso, durante a entrevista de admissão, poucas horas antes, pronunciou-a com um sorriso impecável, após hesitar por apenas um segundo.

Mas ninguém poderia imaginar que, naquele breve instante, outra resposta atravessara sua mente.

A resposta mais verdadeira.

— Ela viera para arrastá-los todos ao inferno…

O sinal do fim da aula soou diversas vezes. Ning Zhi, com a caneta na mão, permanecia sentada, concentrada em completar as anotações que não conseguira terminar durante a explicação.

No tumulto da sala, um choro tão baixo que mal se podia perceber chamou sua atenção.

Ela inclinou levemente a cabeça e olhou para trás—

Na última fileira, uma garota jazia encurvada sobre a mesa, os ombros frágeis sacudindo-se em silêncio.

O olhar de Ning Zhi deslizou pelas mangas desbotadas da camisa da menina, onde se via claramente o pó de base de maquiagem.

— Que saco, hein! Esse choro já está me dando dor de cabeça. Cai fora! —
O rapaz sentado à sua frente retirou impacientemente os fones de ouvido de grife e gritou, sem piedade.

As brincadeiras e risadas ao redor cessaram por um instante, interrompidas somente pela fuga atabalhoada da garota.

Ning Zhi murmurou baixinho:
— Quem é ela?

Um traço de compaixão perpassou o rosto de Yuan Mei:
— Ela se chama Zou Xiaoyu.

Yuan Mei hesitou antes de continuar:
— É uma aluna especial.

Percebendo a expressão de leve dúvida no rosto delicado de Ning Zhi, Yuan Mei suspirou e explicou:

— Saint Sis é uma escola aristocrática; teoricamente, só aceita filhos da nobreza. Mas, como você sabe, nos últimos anos, o clamor por “igualdade” em Via só aumentou, e então a escola passou a admitir alunos comuns com excelentes notas—os chamados alunos especiais.

Ao chegar até aqui, até mesmo a sempre expansiva Yuan Mei exibia uma expressão de pena:

— Mas, apesar de a Saint Sis oficialmente permitir a entrada deles, com direito a bolsas e descontos nas mensalidades, a verdade é que a maioria esmagadora dos alunos ainda pertence à nobreza. Por isso, para esses alunos especiais, a vida aqui… é bem difícil.

Ning Zhi, ouvinte atenta, suspirou com ela, balançando a cabeça e murmurando baixinho:

— Que tristeza. Afinal, ninguém escolhe onde vai nascer.

Yuan Mei assentiu, sentindo ainda mais afinidade por Ning Zhi: era raro encontrar alguém assim, livre de preconceitos de classe em Saint Sis.

Embora também odiasse o bullying e as zombarias dos privilegiados contra os alunos especiais, Yuan Mei sabia, com dolorosa clareza, que nem ela, nem qualquer outro naquela escola poderia mudar tal realidade.

Por fim, advertiu:

— Xiao Zhi, não vá se meter em confusão por causa deles, hein? Se provocar aqueles lá, pode acabar muito mal.

O olhar de Ning Zhi permaneceu sereno, mas sua voz trouxe uma ponta de dúvida:

— Aqueles?

Yuan Mei bateu levemente na própria cabeça:

— Ah, é mesmo!

— Quase esqueci de avisar: na Saint Sis, os três alunos de maior prestígio—os únicos detentores da insígnia dourada—estão todos na nossa turma.

A hierarquia interna da Saint Sis não se limitava à divisão entre nobres e plebeus; sua expressão mais clara estava nas insígnias usadas por cada estudante, que os separavam em três castas: os alunos especiais, plebeus, não tinham o direito de portar nenhuma—os peitos de suas camisas permaneciam vazios; já a maioria dos nobres recebia ao ingressar uma insígnia de prata, gravada com nome e série.

No peito de Ning Zhi reluzia uma dessas insígnias: delicadamente trabalhada à mão, tão bela quanto uma obra de arte.

Mas quem saberia quantas dores e abusos se escondiam sob algo tão bonito…?

Ning Zhi a tocou de leve, meditativa.

Yuan Mei continuou:

— Já a insígnia de ouro puro representa naturalmente o topo da aristocracia estudantil.

Os dedos de Ning Zhi, que seguravam a caneta, se moveram; um sorriso de interesse despontou em seu rosto alvo enquanto escutava a colega.

Yuan Mei virou-se, indicando discretamente, com um gesto, o rapaz adormecido nas fileiras do fundo:

— O primeiro é Jiang Yuan. Um tipo rebelde e charmoso, fera nos esportes; vive largando a aula no meio para ir jogar bola, mas o temperamento… é péssimo, explode por qualquer coisa, nem os professores se atrevem a contrariá-lo. A família dele é riquíssima, e, sendo o filho mais novo, doou logo de cara vários prédios e equipamentos para a Saint Sis…

— O segundo é Lu Jiming, na terceira fileira do fundo. O pai dele é alto funcionário do governo, tem um passado poderoso. O sorriso dele mata qualquer uma, parece atencioso e gentil, mas… nenhuma de suas namoradas dura mais de um mês.

— Por fim… — Ning Zhi percebeu que o rosto de Yuan Mei se tingia de um leve rubor, e a voz baixava quase a um sussurro.

— É o Gu Huai, ali, na diagonal atrás de nós.

Ao ouvir o nome, Ning Zhi voltou-se para trás e, por acaso, cruzou o olhar com Gu Huai, que fitava a janela.

Quatro olhos que se encontraram; o ar pareceu congelar.

Após alguns segundos, ele desviou o olhar, voltando à sua pintura inacabada.

Yuan Mei apertou a mão de Ning Zhi, contendo-se para não gritar:

— Ah! Ele olhou pra cá agora há pouco, não foi?

Ning Zhi recolheu o sorriso suave que lhe dirigira de propósito:

— Acho que sim.

Esse breve episódio deixou Yuan Mei empolgada por longos instantes; só depois de se recompor ela prosseguiu:

— Gu Huai é o único filho do duque, um nobre de sangue puro. Tem um temperamento gelado e distante, não se interessa por nada além de sua arte.

Yuan Mei murmurou, quase confidencial:

— Alguém assim, sim, merece ser chamado de nobre.

Ning Zhi sorriu em concordância, mas o sorriso não chegou aos olhos.

Será mesmo?

Aos olhos dela, os três eram, em essência, igualmente cruéis e indiferentes.

Mas não importava. Um a um, ela se encarregaria de derrubá-los de seus tronos, expondo seus rostos mais feios e repulsivos.