003 Eles estavam em desacordo com a própria profissão de gênio da lâmpada.
— Imortais? Está se referindo ao Deus da Morte.
Recuperando o controle sobre seu próprio corpo, os olhos serpenteantes de Orochimaru fixaram-se na imponente figura do Deus da Morte.
Imortalidade — este é um termo estranho no mundo ninja; as bestas de cauda, essas feras de chakra, são uma exceção, mas jamais se ouviu falar de um homem, um ninja, capaz de viver eternamente.
Se o que o Gênio da Lâmpada dizia fosse verdade, então não seria que não há imortais na terra dos shinobi, mas sim que sua existência não corresponde à concepção comum.
Orochimaru não pôde conter um estremecimento de excitação. — Você conhece a origem do Deus da Morte?
— Não posso afirmar com certeza. — O Gênio da Lâmpada projetou metade do corpo pelas costas de Orochimaru. — Aproxime-se um pouco mais do Yondaime, deixe-me investigar.
Diante disso, Orochimaru não se preocupou mais em ocultar seus rastros; lançou-se de um salto até o exterior da barreira carmesim, postando-se junto aos espectadores, onde estavam Sarutobi e os demais.
A sucessão de eventos daquela noite havia deixado Hiruzen Sarutobi nervoso e inquieto; ele indagou em voz alta: — Orochimaru, o que faz aqui?
Orochimaru, sem se importar com o mestre, apontou discretamente para o Yondaime e permaneceu em silêncio, com o rosto impassível, toda a atenção voltada para o Gênio da Lâmpada.
Viu-se então a névoa humanóide que se desenhava em suas costas dissipar-se abruptamente, transformando-se numa massa volátil; em seguida, um fio tênue se estendeu dali, ignorando a barreira e, num piscar de olhos, enroscou-se ao redor do pescoço do Deus da Morte.
Na extremidade da linha, divisava-se vagamente um pequeno rosto indistinto, espreitando curioso, sem que o Deus da Morte percebesse nada.
Orochimaru lambeu os lábios, surpreso em seu íntimo: — Que espécie de ser é, afinal, este Gênio da Lâmpada?
Com a conclusão do selamento da Kyuubi, o Deus da Morte desvaneceu-se no vazio, e o fio de fumaça do Gênio da Lâmpada disparou para o nada, prolongando-se rumo a dimensões desconhecidas.
Orochimaru imaginara que tal investigação consumiria muito tempo, mas bastaram poucos instantes para que o fio de fumaça retraísse, recompondo-se em forma humana sobre suas costas.
— Não me olhe assim. — O Gênio da Lâmpada pigarreou. — Foi rápido, admito, mas tudo o que devia saber, já sei.
Orochimaru alegrou-se: — Encontrou a morada do Deus da Morte?
— Exato. O Deus da Morte reside na Terra Prometida dos Espíritos. — O Gênio arqueou as sobrancelhas de fumaça, sorrindo. — Suponho que não lhe seja estranho; o lugar tem outro nome: o Mundo Puro.
— Muitos grandes nomes, que você nem imagina, deixaram ali sua marca.
— Se conseguir aperfeiçoar a técnica da espiritualização, também poderá visitar o Mundo Puro; o ambiente ali é extremamente benéfico para espíritos de chakra.
Orochimaru, esquecendo-se de que havia outros presentes, voltou-se para o Gênio da Lâmpada em suas costas, o semblante oscilando entre surpresa e dúvida.
O Mundo Puro — ali, supostamente, é o destino dos mortos, o refúgio das almas; tal é o consenso entre os ninjas do mundo shinobi.
Mas, pela fala do Gênio, não parecia ser assim; em sua descrição, o Mundo Puro era mais um espaço restrito, porém acessível a quem domina o método.
Como as três grandes terras sagradas das invocações.
Registrando mentalmente tanto a técnica da espiritualização quanto o assunto, Orochimaru retomou a questão sobre a origem do Deus da Morte.
Afinal, sentia-se tomado de curiosidade por esse imortal que residia no Mundo Puro.
Mesmo alguém tão poderoso quanto o Primeiro Hokage, Senju Hashirama, sem um receptáculo para o Edo Tensei, não poderia transitar livremente pelo Mundo Puro após a morte. De que era, então, provinha esse Deus da Morte?
Diante da dúvida de Orochimaru, o Gênio trouxe-lhe a resposta:
— O sangue do Deus da Morte é singular: ele é descendente do clã Ootsutsuki.
Orochimaru franziu levemente o cenho. — Ootsutsuki?
— Sim, a altivez é a marca desse clã; são forasteiros vindos de fora deste mundo. Entre eles, o Sábio dos Seis Caminhos fundou o ninshuu, origem do mundo shinobi atual.
O Gênio da Lâmpada, antevendo futuras questões, resumiu a antiga história da invasão alienígena ao mundo shinobi.
— Hoje, não há mais Ootsutsukis de sangue puro, mas entre seus descendentes, por vezes, surge algum “atavista”, como os irmãos Kinkaku e Ginkaku, responsáveis pela morte do Nidaime Hokage e do Nidaime Raikage.
— Este Deus da Morte também deve ser um Ootsutsuki atávico de alguma era, e seu sangue e poder superam, de longe, os de Kinkaku e Ginkaku.
Orochimaru esboçou um sorriso amargo: — Então, o que o faz Deus da Morte é seu sangue? Apenas por ser descendente de alienígenas?
— Exatamente; assim sempre foi no mundo shinobi. — O Gênio assentiu. — Mas não se menospreze: isto está além do alcance do esforço individual.
Em verdade, os Ootsutsuki representam, para o mundo shinobi, uma supremacia civilizacional: técnica, força, linhagem... Por milênios, o mundo ninja evoluiu em meio à guerra, sem nunca superar tal abismo.
Surgiram muitos poderosos entre os ninjas comuns, capazes de rivalizar com clãs como Senju e Uchiha, descendentes dos Ootsutsuki.
Mas, mais do que mérito dos ninjas do mundo, tal fato revela a estagnação dos descendentes diretos.
No futuro, os salvadores Sasuke e Naruto, ao herdarem o poder dos antepassados, igualmente dominarão o mundo, sem mais rivais.
O Gênio da Lâmpada, aliás, não apreciava essa história de predestinação e nobreza inata; era algo que afrontava sua própria natureza.
Orochimaru, o semblante indeciso, murmurou: — Então, segundo você, em vez de buscar novos jutsus, seria melhor herdar o legado dos Ootsutsuki no mundo shinobi?
— Mais precisamente, é na herança que se deve buscar o progresso: absorver a essência, descartar o supérfluo, inovar e criar uma nova geração de jutsus com identidade própria do mundo shinobi.
O Gênio ergueu o polegar: — Deposito grandes esperanças em você.
Enquanto os dois teciam tal conversa, com a morte definitiva do Yondaime, a barreira carmesim que isolava a Kyuubi desabou em fragor.
Os anbus, que aguardavam ansiosos, apressaram-se a examinar o estado do casal do Yondaime e confirmaram seu óbito.
De súbito, o semblante do Sandaime pareceu envelhecer muitos anos.
— Uáááá... uáááá...
O choro de Naruto pequeno continuava, mas nenhum anbu ousava se aproximar; diante deles, não estava uma criança, mas uma bomba-relógio de poder incalculável.
O Sandaime suspirou e preparava-se para avançar, quando uma figura se adiantou.
Orochimaru, num relance, tomou nos braços o pequeno Naruto, que chorava copiosamente, segurando-o como um aviãozinho, examinando-o com interesse.
Segundo a história do Gênio da Lâmpada, o clã Uzumaki simbolizava o poder Yang do Sábio dos Seis Caminhos; em outras palavras, possuíam um corpo de sábio semelhante ao dos Senju.
Agora, esse raro remanescente Uzumaki do mundo shinobi abrigava em si metade Yang da Kyuubi selada. Que transformações ocorreria tal conjunção no futuro? Era algo a despertar curiosidade.
O Sandaime, alarmado, bradou em tom gélido: — Orochimaru, o que pretende fazer?
Os anbus ao redor, em tensão máxima, suavam frio, as mãos instintivamente buscando as armas à cintura.
— Velho, os pais desta criança morreram, está sozinho no mundo, digno de compaixão.
Orochimaru sorriu de canto: — Gostaria de criá-lo. O que acha?
Mal terminara a frase, o Sandaime recusou de imediato: — Orochimaru, sabes que isso é impossível.
— Oh, então esqueça. — Orochimaru não insistiu; acariciou Naruto como se fosse um gato, acalmando-o, e o entregou sem demora ao Sandaime.
O semblante do Sandaime relaxou um pouco, e os anbus suspiraram aliviados.
— Velho, chame Jiraiya de volta. Alguém está de olho em Konoha, de olho no Jinchuuriki.