Capítulo Dois: O Ataque de Orochimaru
Na manhã do dia seguinte.
Orochimaru caminhava languidamente pelas ruas de Konoha; o vilarejo ressoava com risos e alegria, digno do maior dos vilarejos ninjas.
“Contudo, o preço pago por essa alegria foi demasiado alto.”
Ao longo de sua trajetória, Konoha sacrificou pessoas demais, e, ao final, tudo o que conseguiram foi preservar uma felicidade limitada dentro dos muros do vilarejo. Teriam todos esses sacrifícios sido em vão, entregues aos cães?
Especialmente o Primeiro Hokage… Por que dividir as Bestas com Cauda? Por que acatar as ordens do daimyo?
Não seria melhor avançar de forma avassaladora e unificar o mundo? Acaso o Primeiro Hokage duvidava de sua própria capacidade de unificação? Ou julgava o processo difícil demais, a ponto de desistir?
Quem saberá? De toda forma, pouco importa agora.
O Primeiro Hokage está morto.
“Esta paz, hoje, deixará de existir.”
Orochimaru sacudiu a cabeça, perambulando por Konoha; a paisagem ao redor fazia com que em seu coração, já há muito tempo gelado, surgisse um breve instante de nostalgia. Afinal, ali era o lugar onde crescera.
Mas, em breve, tudo isso deixaria de existir.
“Danzō… só sabe recorrer a truques desprezíveis.”
Orochimaru percebeu a presença de alguns ANBU ocultos, observando-o. Eram todos da linhagem do Hokage.
Danzō havia revelado sua identidade e intenções ao Terceiro Hokage.
Orochimaru ignorou os ANBU; para ele, isso era trivial. Ainda não terminara sua visita por Konoha.
Por coincidência, nesse instante, a silhueta de um jovem cruzou seu campo de visão—Sasuke. Orochimaru, tomado de interesse, dirigiu-se até ele.
...
Sasuke estava sentado sozinho num banco, as mãos sob a cabeça, o rosto erguido e inexpressivo, fitando o céu.
Naruto tornava-se cada vez mais forte; aquele fracassado de outrora havia alcançado seu nível.
Talvez amanhã, ou depois, já o teria superado.
“Maldição!”
Sasuke sentia-se enfurecido; se as coisas continuassem assim, como poderia derrotar aquele homem?
Nesse momento, uma aura gélida se aproximou, fazendo seu corpo entrar em alerta, os pelos eriçados.
“Quem está aí?”
Sasuke virou a cabeça e viu um ninja com a bandana da Vila da Grama aproximando-se.
“Hmph!” — Sasuke resmungou, frio, ignorando o invasor e levantando-se para partir.
Mas o ninja da Grama desviou-se, postando-se diante dele.
“Saia da minha frente!” — ordenou Sasuke, com frieza.
Não acreditava que perderia para alguém de sua idade.
“Hehehehe...” Orochimaru estendeu a língua, lambendo os lábios; Sasuke permanecia tão frio e distante como sempre.
“E se eu não quiser sair?” — Orochimaru tomou gosto pela provocação.
Diante dessas palavras, os olhos de Sasuke se estreitaram. Estava prestes a atacar—se não se rende ao brinde, receberá castigo!
...
Porém, antes que pudesse mover-se, uma onda de terrível intenção assassina o envolveu, o medo da morte iminente pairando sobre seu coração.
Sasuke escancarou os olhos, paralisado.
...
No instante em que Orochimaru encontrou Sasuke, um ANBU deixou apressadamente o local e se dirigiu ao escritório do Hokage.
Lá dentro, o Terceiro Hokage encontrava-se com Danzō.
Ambos receberam a notícia.
“Sarutobi, como pretende lidar com seu discípulo?” — Danzō indagou, com tom de pressão.
Orochimaru crescera sob tutela do Terceiro Hokage; sua deserção fora, em grande parte, resultado das oportunidades dadas por seu mestre.
Danzō usara esse fato para pressionar Sarutobi diversas vezes; agora, mais que nunca, pois Orochimaru estava ali, em pessoa.
“Darei uma satisfação a todos vocês.”
O Terceiro Hokage tragou duas vezes o cachimbo, batendo-o três vezes sobre a mesa, deixando cair a cinza.
...
...
“Mexa-se!”
Sasuke não conseguia mover-se, tomado de ansiedade; mas seu corpo, dominado pelo instinto de sobrevivência, permanecia imóvel.
Orochimaru riu suavemente: “Não adianta resistir.”
Sasuke não era tolo—ao contrário, era perspicaz. Não acreditava que alguém de sua geração pudesse paralisá-lo apenas com a intenção assassina; quantas vidas precisaria tirar para tal efeito?
Só havia uma explicação!
Aquele à sua frente não era um verdadeiro ninja da Grama.
“Não precisa adivinhar mais. Sou Orochimaru, certamente já ouviu falar de mim.” — disse, sorrindo, estendendo a língua e lambendo o rosto de Sasuke.
Sasuke sentia um medo profundo; Orochimaru saboreava o doce aroma do terror.
“O que quer de mim? Isto é Konoha! Não teme ser descoberto pelo Hokage?” — Sasuke, pálido, tentava resistir.
Sabia que Orochimaru era um nukenin de nível S, mas desconhecia os detalhes do terror que ele representava.
Naquele momento, só conseguia pensar em usar o peso do vilarejo para pressioná-lo.
“Konoha? Em breve, este lugar deixará de existir. Mas deixemos o vilarejo de lado, por ora quero falar apenas de você.”
Orochimaru passou a língua pelos lábios: “Você deseja poder?”
Não era o corpo de Sasuke que cobiçava; na verdade, já não o interessava. Em meio ao tédio da existência, buscava apenas entretenimento, e Sasuke, enquanto pessoa, o fascinava.
Queria apenas observar até onde aquele “catavento” poderia girar.
Agora, desejava apenas provocá-lo um pouco, por diversão.
Se Sasuke seria capaz de agarrar a oportunidade e se apoiar em sua força, dependeria do próprio destino.
“Não quero! Solte-me! Se me soltar, não contarei nada ao Hokage. Caso contrário, gritarei, e você não sairá vivo de Konoha!” — Sasuke ameaçou Orochimaru.
Era a única estratégia que conseguia conceber.
Orochimaru sacudiu a cabeça, achando tudo aquilo enfadonho. O inexperiente Sasuke só sabia gritar.
...
Orochimaru recolheu sua intenção assassina; Sasuke tombou ao chão, desfalecido.
Momentos depois, conseguiu pôr-se de pé, afastando-se o máximo possível de Orochimaru, lívido.
Orochimaru, observando-o, exibiu um sorriso jocoso: “Se desejar poder, procure-me. Além disso, tenho notícias sobre seu irmão.”
Ao ouvir “notícias de seu irmão”, a razão de Sasuke foi ofuscada; quis correr até Orochimaru, agarrá-lo pela gola, exigir respostas.
Mas, nesse instante, um garoto de cabelos dourados saltou para diante de Sasuke, abraçando-o e afastando-o dali.
“Sasuke, você está bem?”
Era Naruto quem o retirava, acompanhado de Sakura e dos demais daquela geração.
Além disso, os civis ao redor haviam se afastado; em seu lugar, ninjas de Konoha, em armaduras completas, cercavam Orochimaru, empunhando shuriken, prontos para o combate.
O ambiente carregava uma tensão mortal.
“Solte-me.” — disse Sasuke, já recobrada a razão, com frieza a Naruto, olhando então para Orochimaru, cercado.
Orochimaru permanecia no centro, ostentando ainda a máscara de pele do ninja da Grama; ninguém ousava subestimá-lo.
Sozinho, diante de Konoha, exibia um leve sorriso, irradiando uma aura de poder inominável.
“Será que ele realmente sabe sobre aquele homem…?” — Sasuke olhava fixamente para Orochimaru, a expressão oscilando.
...
Orochimaru estava cercado; os ninjas de Konoha abriram caminho, e um ancião, portando o chapéu de Hokage, avançou.
Trazia um cachimbo nos lábios, as mãos às costas, o corpo curvado pela idade.
Mas todos os olhares voltados a ele resplandeciam respeito e admiração.
Era o Terceiro Hokage, Sarutobi Hiruzen—um homem cujas contribuições a Konoha eram incontáveis.
Ao vê-lo, Orochimaru sorriu e cumprimentou: “Sarutobi-sensei.”
O Terceiro Hokage, com semblante austero, declarou: “Orochimaru, você é um nukenin de Konoha. Como ousa retornar? Veio se render?”
Palavras hábeis—ainda tentava suavizar a culpa de Orochimaru. Este, porém, sacudiu a cabeça: pura indulgência.
Orochimaru sorriu, um sorriso gentil: “Não, Sarutobi-sensei. Não vim me render, mas para destruir Konoha.”
Ao ouvir tais palavras, uma centelha de lâmina brilhou no olhar enevoado do Terceiro Hokage, seguida de um lampejo de dor.
Ao redor, todos se mantinham em máxima prontidão.
Apenas Sasuke exibia um olhar complexo.
“Dizer diante do Hokage que destruirá Konoha… Ou é louco, ou tem plena confiança. Seria mesmo verdade?
Não!
Aquilo que nem aquele homem conseguiu, como ele poderia realizar?!”
Sasuke recusava-se a acreditar.