Capítulo 2: A Primeira Vez com uma Arma
Não importava se era um sonho ou não, ela jamais aceitaria ser devorada por aquela criatura hedionda.
Com mãos trêmulas, começou a tatear o próprio corpo, em busca de alguma arma para se defender.
O ideal seria uma faca.
Durante a faculdade de medicina, ainda que fosse sempre a última da turma, desenvolvera um fascínio especial pelo uso de lâminas; não chegara ao padrão exigido para estar numa sala de cirurgia, mas sua destreza era notável.
Entretanto...
O que encontrou foi uma pistola.
O peso sólido na palma de sua mão fez com que todo o ser de Tu Ran estremecesse até o âmago. Que os céus fossem testemunha: ela, jovem exemplar da nova era, só vira armas de fogo na televisão e as utilizara em jogos eletrônicos; na vida real, jamais sequer brincara com uma arma de brinquedo.
Seu coração, pulmões e fígado pulsavam em uníssono, vibrando de inquietação—aquele mundo onírico era demasiadamente selvagem!
Ela prosseguiu, ainda à procura de ferramentas úteis, até que, no bolso da calça, junto à coxa, tocou um objeto arredondado.
Um mau pressentimento se formou em seu íntimo.
E, como esperado, era uma bomba.
O formato diferia um pouco das granadas vistas em dramas patrióticos sobre a resistência; esta, de aparência mais lustrosa e sofisticada, emanava uma aura de alta tecnologia. Quanto ao peso... nunca pegara uma granada verdadeira, então não sabia se era leve ou não.
Enquanto corria, Tu Ran continuava a vasculhar o próprio corpo, e ao final, encontrou apenas duas bombas idênticas.
Já tinha um plano em mente.
Mais uma vez, o choro de um bebê ecoou; o monstro gigante, aquele "essência de galinha", havia a alcançado.
Tu Ran inspirou fundo e destravou a pistola.
A sombra colossal da criatura passou sobre ela; Tu Ran, com o dedo no gatilho, disparou.
Ainda que jamais tivesse comido carne de porco, ao menos sabia como um porco corria.
Parando abruptamente, esticou o braço, apontou a arma para o monstro nos céus, e, com um estrondo, atirou!
A bala penetrou no ventre adiposo da criatura.
Como uma pedra lançada num lago, provocou ondas sucessivas.
Tu Ran não hesitou; continuou disparando sem cessar.
"Bang... bang... bang bang bang!"
O som reverberou entre as nuvens, tornando-se singularmente nítido junto à tranquila encosta da montanha.
A força do recuo fez com que Tu Ran recuasse passo a passo, e seu pulso ficou dormente, completamente insensível.
No total, disparou doze vezes, esvaziando todo o carregador.
Mas não acertou todos os tiros.
Mirou nos olhos e nas pernas da criatura, mas das doze balas, apenas uma atingiu a perna, grosso como a coxa de um adulto; metade acertou o abdômen e as asas, o restante perdeu-se no ar.
Diante deste resultado, Tu Ran já se sentia satisfeita.
Com as asas feridas, o monstro teve seu voo drasticamente limitado, perdeu o equilíbrio e caiu pesadamente ao solo, como uma montanha desabando, levantando uma nuvem de poeira que cobriu Tu Ran, mesmo a vários metros de distância.
A poeira a fez tossir, com a mão sobre o nariz.
A criatura, agora completamente enfurecida, soltou um grito agudo que fez as membranas de Tu Ran latejarem de dor.
Ainda tentava bater as asas, querendo se erguer, mas fracassava, e o sangue jorrava incessantemente das feridas.
O sangue não se assemelhava ao de nenhum ser que Tu Ran já vira—era um verde escuro, viscoso, exalando um odor nauseante.
Parecia que o monstro aceitara sua incapacidade de levantar-se; não lutava mais para se erguer, mas mantinha a cabeça voltada ao céu, emitindo um chamado incessante.
O som, agora, não tinha a fúria de antes, quando se dirigia a Tu Ran; era um lamento, um chamado.
Tu Ran, à margem, refletiu por um instante, tomou uma decisão e caminhou em direção à criatura ainda uivando para o firmamento.
Era melhor explodir tudo, para garantir a segurança.
Aproximou-se o suficiente, certa de que poderia eliminar o monstro com um golpe certeiro, puxou o anel da bomba e, com precisão, arremessou-a direto na boca escancarada da criatura.
Então, virou-se e correu, sem olhar para trás.