Capítulo Três: A Entrada no Caminho

Terlahir Kembali di Dunia Mitologi Kertas melahirkan asap awan. 2718字 2026-03-15 14:38:16

A friagem primaveril se fazia sentir.
Galhos ostentavam alvura cristalina; as últimas flores de ameixeira ainda não haviam se despedido.
A luz fria derramava-se sobre os degraus de pedra, onde sombras salpicadas bailavam ao vento.
Chen Yan, com um barrete de erudito e veste azul, sentava-se junto à pequena janela; a claridade pendia sobre ele, iluminando-lhe a fronte translúcida como jade.
O brilho que lhe nascia na testa era sinal de que atingira certo patamar no cultivo da “Arte Suprema dos Seis Jia”, indício de que o seu yuan yang começava a despertar-se.
Evidentemente, com uma técnica de condução superior e uma dieta constante de carnes, em menos de um mês recuperara o corpo outrora exaurido pela feitiçaria da sacerdotisa, indo além do estado anterior.
“Falta apenas um ensejo.”
Chen Yan refletiu, ergueu-se, desenrolou grande folha de papel e começou a brandir o pincel.

Se alguém o observasse atentamente, veria que, a cada passo, Chen Yan avançava e recuava qual kunpeng rompendo as águas, como se a natureza o houvesse talhado.
Seu corpo oscilava num ritmo harmonioso: ora como vento nas folhas de lótus, ora como luar sobre a hera, ora como água fria brotando da fenda, ora como flores que desabrocham sob a rocha—cada gesto, cada movimento, era comunhão entre homem e Céu.
Era a mutação do Taiyin, a verdadeira forma dos Seis Jia.
Com o tempo, tal prática podia fortalecer o corpo, transmutar músculos e ossos, condensar a medula, preservar a essência, aprendendo com a própria natureza.

Ouvia-se apenas o sutil saltitar da ponta do pincel, emitindo um murmúrio sibilante; entre pedras geladas, areia branca, águas violáceas e vestígios de musgo, tudo saltava do papel, traço após traço, repleto de encanto.

Naquele instante, Chen Yan teve a impressão de adentrar um estado inominável; serenava o espírito, cultivava o vigor vital, os pensamentos rareavam, a mente pairava entre o corpo e os céus, a alma elevava-se aos nove firmamentos.

Sutilmente, percebeu que, em seu dantian, um orifício misterioso se abria lentamente, assemelhando-se a uma flor de lótus—arredondada em cima, afilada embaixo—onde uma vitalidade inconcebível fermentava e borbulhava.

Uma hora depois, a pintura de montanhas e águas ganhara forma: montanhas altas sob lua pequena, picos de jade florescendo, trepadeiras como cortinas, homens entre flores.

De fato, a obra era insólita e transcendente; da robustez emergia uma graça púrpura, um vigor pétreo, e um verde penetrava-lhe as sobrancelhas.

“Uma montanha e um rio, eis o Caminho.”

Chen Yan fitou a pintura, sorriu, tomou do tinteiro e imprimiu seu selo.

Ka-cha,

No verso, o selo deixou suave marca dourada, de extrema antiguidade.

Hualala,

Ao pousar o selo, o papel de arroz animou-se sem vento, emitindo um som diáfano, onde o aroma da tinta se espalhava em volutas.

“É este o momento.”

Chen Yan sentiu uma súbita inspiração, prostrou-se de corpo inteiro, num estado entre vigília e sono.

Pensava e não pensava; existia e não existia; pensamento sem pensamento, existência sem existência—no pensar, o não pensar; na existência, o não existir. Vagueava num silêncio indistinto, o coração e a respiração tornavam-se uno.

A mente pairava num devaneio, etérea e vazia.

Chen Yan mantinha apenas um último fio de lucidez, como se regressasse ao ventre materno, de todo envolto em confusão, sem pensamentos nem desejos, sendo e não sendo, sagrado e profano dissolvidos.

Não se sabe quanto tempo passou, até que intenção e espírito se fundiram; a cada inspiração, serenava a mente, condensava o qi, mergulhava em quietude absoluta.

Coração sem pensamentos, o espírito retorna ao natural; então, desceu ao orifício do dantian, mobilizando sua essência primordial.

***

Rugidos retumbantes.

Sem saber quando, Chen Yan abriu subitamente os olhos, o olhar profundo; do abdômen, um calor se erguia, e em seguida o dantian ardia, vibrante, repleto de vitalidade. Então, nasceu o verdadeiro qi—sereno, contínuo, entrelaçando-se suavemente.

O qi verdadeiro, do dantian aos meridianos, nutria sangue e carne, percorria músculos e ossos, ressoando como jade e ouro.

“Eis a entrada no Caminho.”

Chen Yan suspirou admirado, abriu a janela; contemplando pinheiros, ciprestes, bambus sob a neve e, ao longe, as montanhas azuis, sentiu que cores jamais vistas dançavam ante seus olhos, exuberantes de vida.

Nada mais havia, senão a verdade.

Não mais confusão ou hesitação; ao abrir a porta, via a montanha, percebendo a essência de todas as coisas.

Ao pensar nisso, Chen Yan compôs tranquilamente um poema:

“Capturei o yuan yang, firmei o laço vital,
Abrindo a porta, vejo a montanha — eis o natural.
Se alguém me indaga sobre a arte do cultivo,
Direi: buscar a verdade não está além do celestial.”

Recuperando as memórias da vida anterior em menos de um mês, Chen Yan, aproveitando o raro estado de iluminação, finalmente ascendeu ao Reino da Percepção, refinando a essência em qi, tornando-o vigoroso como um dragão.

“Qi verdadeiro…”

Chen Yan percebeu em seu âmago um fio sutil de qi, regozijou-se—com o qi verdadeiro, poderia agora lançar simples encantamentos.

“Pintura do Cavalo Celeste.”

Em poucos passos, aproximou-se da mesa, desenrolou o pergaminho; sobre o papel, o corcel de mil léguas parecia saltar, e o relincho do animal tornava-se cada vez mais nítido.

“Será você.”

Com um plano em mente, Chen Yan dispôs um altar simples no pátio, desenhou o Ba Gua primordial, símbolos de fogo, vento, água e terra, alternância de yin e yang.

“Vá.”

Tudo pronto, com um gesto lançou a pintura sobre o altar.

“Duo!”

Chen Yan deu um passo à esquerda, como se pisasse nas Sete Estrelas, formou um mudra com as mãos, recitou:

“Ó essência da água primordial,
Resplandece em oito luzes,
Que os deuses se reúnam e revelem sua forma,
Que a visão alcance mil léguas,
Que penetre os nove espíritos.”

Passos, selos e mantra, tríade que forma o ritual.

Ommm.

No instante seguinte, a pintura do corcel tremeu em silêncio, ondas de energia se expandiram.

“Duo!”

Chen Yan prosseguiu, avançando em círculo ao redor do altar, marcando as Sete Estrelas, unindo o Ba Gua, formando o Nove Palácios.

Ommm, ommm.

A pintura vibrava mais forte, o relincho do corcel parecia soar-lhe aos ouvidos.

“Tai Shang nutre a alma, refina o qi e transmuta a forma.”

Sereno, Chen Yan unificou os três poderes, evocou forças misteriosas que desceram ao altar, fundindo-se ao quadro do cavalo celeste.

“Hū…”

Somente após meia hora cessou, o calor exalava de sua cabeça em névoas crepusculares.

***

Em antigos estágios, tal encantamento de nutrição da alma era realizado por Chen Yan com uma única palavra: onde a mente alcançava, o feitiço se cumpria, atraindo forças do invisível.

Agora, no entanto, apenas no Reino da Percepção, precisava recorrer ao altar, unindo mantra, selo e passos para executá-lo com dificuldade—e o tempo despendido era incomparável ao de outrora.

“Contanto que funcione.”

Chen Yan exalou um sopro turvo, fitou o altar.

Hualala,

Após dez respirações, a pintura do cavalo moveu-se sozinha; sobre ela formou-se um vórtice quase corpóreo, onde luzes cintilavam como se quisessem compor a constelação do Carro do Sul.

O Carro do Sul rege a vida, o Taiyin gera transformação.

Hisss…

Quando a constelação se completou, o relincho do corcel soou jubiloso, cada vez mais alto e nítido; após nove brados, a luz ascendeu, e um corcel saltou do pergaminho, pisando a claridade.

Negro e branco, apenas a cauda chamuscada.

Hisss…

O corcel aproximou-se de Chen Yan, esfregando a cabeça aos seus pés, num gesto de afeto.

“Muito bom, muito bom.”

Chen Yan acariciou-lhe a crina—ao toque, não se distinguia de um cavalo real.

“Vejo que este pergaminho não é simples…”

Chen Yan retirou o quadro, assentiu; capaz de nutrir tal cavalo celeste, não era objeto comum.

Deve-se saber que, ao surgir um cavalo demoníaco comum, o frio e o yin o envolvem, sem vestígio de calor; já este cavalo celeste era inteiramente distinto, tal qual um verdadeiro corcel de mil léguas.

Tal diferença não se devia ao próprio encantamento, mas ao poder do pergaminho.

“Parece ser herança dos ancestrais…”

Chen Yan semicerrava os olhos, os pensamentos giravam; só então percebia que seus pais falecidos não eram meros proprietários abastados.

Nem se falasse da origem desta misteriosa pintura—já o fato de Chen Yan, mesmo sob o feitiço da sacerdotisa, ter resistido quase três meses, era prodigioso.

Tal fato não se explica apenas pelo dom inato, mas também por cuidadosa nutrição posterior.

“Pena que, antes, só sabia estudar, sem outra intenção.”

Chen Yan andava de um lado a outro; na memória, os pais se foram cedo, e ele, dedicado apenas a livros, caligrafia e pintura, não recordava muitos indícios.

“Deixe para depois.”

Guardou o quadro, olhou o céu, e estranhou: “Já é esta hora, por que A Ying ainda não voltou?”