Capítulo Um: O Terrível Navio de Três Mastros
“Chuff! Chuff! Chuff! Buffon, assim que terminar este, seja gentil e costure também aquela criatura recém-chegada. Só tuas mãos conseguem realizar obra tão delicada!” disse Hogback.
“Hum!” Buffon ergueu o olhar para Hogback, mas a precisão de seus movimentos ao suturar o cadáver não sofreu sequer um instante de hesitação.
Com uma das mãos manejava o fórceps, aproximando as bordas da pele rasgada; com a outra, veloz, unia os pontos extremos. Bastaram alguns segundos para concluir a incisão. Os pontos, alinhados como se uma máquina de costura os tivesse traçado, sem a menor discrepância entre as linhas — nada daquela rudeza que se vê nas ilustrações originais dos piratas.
Rápido, arrematou a linha e fez o nó, tudo em um só fôlego.
Hogback fitou o cadáver recém-costurado por Buffon, sua expressão era de admiração explícita e irrestrita: “Perfeito! Buffon, tu és um artista nato! Mesmo cadáveres, sob tuas mãos, convertem-se em obras de arte. Perfeito!”
No cérebro, o “Catálogo de Personagens” folheou uma página em branco, e lentamente surgiu a identidade do dono daquele corpo:
[Personagem: Kurozoe]
[Nível: T8]
[Facção: Piratas]
[Recompensa: 500 mil Berries]
[Obstinação: 93%]
[Recompensa disponível: Constituição +7 → 105 (Tenente de 2º Grau)]
“Aumentou minha constituição?”
Buffon levantou-se e olhou para o espelho; sob a espessa musculatura do pescoço ouviu-se um estalido. No reflexo, olhos azul-escuros, nariz altivo, rosto coberto por uma barba rala — um típico semblante europeu.
Quase dois metros de altura, músculos definidos: este era o corpo em que Lin Liang habitava após a travessia.
Castie Buffon, dezenove anos.
Membro da tripulação dos Piratas do Navio Fantasma de Três Mastros, assistente de Hogback, um dos três monstros sob as ordens de Moria, incumbido de transformar cadáveres em zumbis para o exército de mortos-vivos de Moria.
Lin Liang, leitor assíduo de romances online, já encarava a ideia de atravessar mundos com indiferença; em sua antiga existência, ensaiara esse acontecimento mentalmente inúmeras vezes.
Agora, era apenas uma questão de seguir o roteiro que já previra em sua mente, especialmente por ser o mundo do mangá “One Piece”, que acompanhara por quase vinte anos.
Além disso, o ano era 1511 do calendário pirata, cerca de dez anos antes de Luffy zarpar.
Assim, pensou: desenvolver-se por uma década, aguardar a chegada de Luffy e, com um golpe, ser lançado junto do Sunny até Rab, reencontrando Brook com Rab ao som de “Binks’ Sake”, fim de história!
Mas isso era apenas uma fantasia; se tudo terminasse assim, qual seria o sentido de atravessar para este mundo?
Buffon aproximou-se de Hogback e recebeu das mãos dele um pequeno caixão de apenas trinta centímetros.
Em seu íntimo, murmurou: “Tribo Tontatta!”
“Buffon, quero dar um presente a Perona. Só você pode me ajudar neste mundo.” Hogback fitava Buffon com esperança. “É o cadáver de um capitão da tribo Tontatta. Vamos, permita-me testemunhar mais uma vez tua arte de costurar cadáveres.”
“Hum!” Buffon manteve seu habitual silêncio.
Ao abrir o caixão sobre a mesa cirúrgica, Buffon pôde ver o corpo por inteiro.
Tinha pouco mais de vinte centímetros de altura, a desproporção entre cabeça e corpo era extrema, com a cabeça ocupando quase metade do corpo, e uma cauda felpuda cinzenta pendendo atrás.
O cadáver estava coberto por feridas causadas por armas cortantes; algumas profundas o bastante para expor o osso, e um dos braços finos já estava perdido.
O corte era limpo e regular, o que indicava que a arma que